Você recebeu uma proposta e foi atrás de saber quanto a fazenda vale. Pediu três avaliações e recebeu três números bem diferentes. Não é erro de ninguém: existem tipos diferentes de avaliação, cada um respondendo a uma pergunta diferente.

Avaliação patrimonial

É o valor de mercado da terra e das benfeitorias, com base em transações comparáveis na região, cartório e referências de mercado de terras. Responde "quanto valem os ativos?". É a conta mais comum — e a que mais ignora a capacidade do negócio de gerar caixa.

Avaliação para garantia bancária

O banco avalia de forma conservadora, com deságio, porque pensa no valor que recuperaria se precisasse executar a garantia. Por isso costuma ser o menor dos três números. Não é o valor "real" da fazenda — é o valor que o banco aceita arriscar contra ela.

Valuation econômico-financeiro

Avalia a operação como negócio: o caixa que ela gera ao longo do tempo, trazido a valor presente. Considera produtividade, custo, preço, estrutura de capital e risco. É a metodologia que um comprador sofisticado ou um fundo usa — e a que melhor responde a uma proposta de compra ou de entrada de sócio.

A mesma fazenda pode valer R$ 80 milhões na avaliação de garantia do banco, R$ 110 milhões na patrimonial e R$ 140 milhões no valuation econômico — dependendo do que ela gera de caixa. Saber qual número usar, e diante de quem, é o que define o preço na mesa.

Qual é a "certa"?

Depende da pergunta. Para oferecer em garantia, vale a do banco. Para conhecer o valor dos ativos, a patrimonial. Para vender, captar sócio ou negociar de igual para igual com quem fez a conta do outro lado, é o valuation econômico-financeiro — feito pelo seu lado.